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Avaliação Pré-Operatória e Risco Cirúrgico: Como liberar o Paciente com Segurança

    A avaliação pré-operatória, também conhecida como avaliação de risco cirúrgico, é uma etapa fundamental antes de qualquer procedimento cirúrgico, independentemente do porte da cirurgia. Seu principal objetivo é identificar, estratificar e reduzir riscos clínicos, garantindo que o paciente esteja em condições seguras para ser submetido ao ato cirúrgico.

    Muito além de um simples “laudo para liberar cirurgia”, o risco cirúrgico é uma avaliação médica baseada em evidências, que considera o estado cardiovascular, pulmonar, metabólico e funcional do paciente, além das características do procedimento a ser realizado.

    O que é avaliação de risco cirúrgico?

    A avaliação de risco cirúrgico é um processo clínico que busca responder a três perguntas essenciais:

    • O paciente pode ser submetido à cirurgia com segurança?
    • Existe algum risco que precisa ser tratado ou otimizado antes do procedimento?
    • Quais medidas reduzem o risco de complicações intra e pós-operatórias?

    Ela é indicada tanto para cirurgias eletivas simples quanto para procedimentos de médio e alto risco, sendo essencial em pacientes com doenças crônicas ou idade mais avançada.

    Por que a avaliação pré-operatória é tão importante?

    Complicações cirúrgicas graves, como infarto, AVC, arritmias, insuficiência respiratória e trombose, muitas vezes não estão relacionadas à cirurgia em si, mas às condições clínicas pré-existentes do paciente.

    A avaliação adequada permite:

    ✔ Reduzir risco de eventos cardiovasculares
    ✔ Diminuir taxas de complicações pós-operatórias
    ✔ Evitar cancelamentos de cirurgias de última hora
    ✔ Planejar cuidados anestésicos e hospitalares
    ✔ Aumentar a segurança do paciente e da equipe médica

    Quem precisa passar por avaliação de risco cirúrgico?

    A avaliação é recomendada para:

    • Pacientes com mais de 40–50 anos, mesmo assintomáticos
    • Portadores de hipertensão, diabetes, obesidade ou dislipidemia
    • Pessoas com histórico cardíaco, pulmonar ou renal
    • Pacientes que já tiveram infarto, AVC ou trombose
    • Indivíduos que serão submetidos a cirurgias de médio ou grande porte

    Na prática, todo paciente que fará cirurgia deve ser avaliado, ainda que de forma simples.

    Como é feita a avaliação pré-operatória?

    1️⃣ Avaliação clínica detalhada

    • Histórico médico completo
    • Uso de medicamentos contínuos
    • Cirurgias e anestesias prévias
    • Histórico familiar de doenças cardiovasculares
    • Capacidade funcional (nível de esforço diário)

    2️⃣ Classificação do risco do paciente e da cirurgia

    O risco final é determinado pela combinação entre o risco clínico do paciente e o risco do procedimento, que pode ser:

    • Baixo risco: pequenas cirurgias, procedimentos ambulatoriais
    • Risco intermediário: cirurgias ortopédicas, abdominais, ginecológicas
    • Alto risco: cirurgias cardíacas, vasculares, grandes cirurgias oncológicas

    3️⃣ Exames complementares mais solicitados

    Os exames são solicitados de forma individualizada, evitando excessos desnecessários.

    Podem incluir:

    • Exames laboratoriais (hemograma, função renal, glicemia, eletrólitos)
    • Eletrocardiograma (ECG)
    • Raio-X de tórax (quando indicado)
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico ou outros testes funcionais

    O objetivo não é “pedir todos os exames”, mas pedir os exames certos para cada perfil.

    Avaliação cardiológica no pré-operatório

    O coração é o principal órgão envolvido em complicações cirúrgicas. A avaliação cardiológica busca identificar:

    • Doença arterial coronariana silenciosa
    • Insuficiência cardíaca
    • Arritmias
    • Doenças valvares
    • Hipertensão mal controlada

    Quando necessário, o cardiologista pode recomendar otimização clínica, ajuste de medicamentos ou até adiamento temporário da cirurgia para reduzir riscos.

    O que significa “liberar risco cirúrgico”?

    Liberar o risco cirúrgico não significa risco zero. Significa que:

    • O paciente foi avaliado adequadamente
    • Os riscos foram identificados e reduzidos ao máximo
    • O procedimento pode ser realizado com segurança aceitável
    • A equipe cirúrgica e anestésica está ciente dos cuidados necessários

    Em alguns casos, a liberação vem acompanhada de recomendações específicas, como monitorização intensiva, ajustes de medicação ou cuidados no pós-operatório.

    Quando a cirurgia não deve ser liberada imediatamente?

    A cirurgia pode ser temporariamente adiada quando há:

    • Infarto recente
    • AVC recente
    • Infecção ativa
    • Pressão arterial descontrolada
    • Descompensação cardíaca ou respiratória
    • Alterações graves em exames essenciais

    Nesses casos, tratar a condição antes da cirurgia salva vidas.

    Assim, a avaliação pré-operatória e o risco cirúrgico são etapas essenciais da medicina moderna, focadas em prevenção, segurança e tomada de decisão baseada em evidências.

    Mais do que um documento formal, o risco cirúrgico é um instrumento de proteção ao paciente.

    ✔ Cirurgia mais segura
    ✔ Menos complicações
    ✔ Melhor recuperação pós-operatória
    ✔ Decisão médica consciente e individualizada

    Se você vai passar por uma cirurgia, converse com seu médico sobre a avaliação pré-operatória. Preparar o organismo antes do procedimento é tão importante quanto a cirurgia em si.

     Dra. Nayara Fraccari – CRM: 151580-SP

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